‘Ontem foi último dia triste’, diz Bolsonaro ao criticar inquérito e ação da PF

O presidente afirmou que, devido aos cumprimentos de mandato da PF, ontem foi um “dia triste da nossa história”, mas que foi o “último”. “O povo tenha certeza, foi o último dia triste. Nós queremos a paz, harmonia, independência e respeito. E democracia acima de tudo”, afirmou o presidente a jornalistas.

“Nunca tive a intenção de controlar a PF. Pelo menos [para] isso serviu para mostrar ontem. Mas obviamente ordens absurdas não se cumpre e nós temos que botar um limite nessas questões”, continuou o presidente, criticando a decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes, de autorizar a ação.

“Com todo o respeito que eu tenho a todos integrantes do Legislativo, do Judiciário e do meu próprio poder, [mas] invadir casas de pessoas inocentes, submetendo a humilhações perante esposas e filhos, isso é inadmissível.”

O presidente disse ainda que em todas as instâncias existem pessoas que extrapolam suas funções, mas que elas devem ser contidas. “Comigo, quando acontece, eu tomo providência. Espero que o mesmo aconteça com os demais poderes”, afirmou.  

“Quando alguém, repito, desvirtua no meu meio, eu demito. Quando do outro lado alguém se desvirtua já que é um ser humano como outro qualquer, já que não pode demitir que os outros o procurem e façam com que ele volte a ser humilde e [volte a] usar sua caneta ou seu voto para o bem do nosso país”, continuou o presidente.

Decisões monocráticas

Bolsonaro afirmou também que não é possível ter uma democracia no país sem um Judiciário e um Legislativo independentes. “Para que possam tomar decisões, não monocraticamente, por vezes, mas as questões que interessam ao povo como um todo, que tomem, mas de modo que seja ouvido o colegiado”, afirmou.

Nesse momento, o presidente usou um palavrão para mostrar sua indignação com a situação. “Acabou, porra! Me desculpe o desabafo, acabou. Não dá para admitir mais atitudes de certas pessoas individuais, tomando quase de forma pessoal certas ações. Nós somos um país livre e vamos continuar livres, mesmo com o sacrifício da própria vida.”

Ele afirmou que não pode ser admitido, nem no Executivo, nem no Legislativo e nem no Judiciário que decisões individuais sejam tomadas em nome de todo o Poder. “Por favor, não pensem em corporativismo, pensem na instituição que é sagrada, respeito o STF, respeito o Congresso Nacional, mas para esse respeito continuar sendo oferecido da minha parte tem que respeitar o Poder Executivo também.”

Compromisso com democracia

O presidente ressaltou em sua fala que todos os poderes devem proteger a democracia e que as Forças Armadas a apoiam, além de estarem ao lado do “povo e da lei e da ordem”.

“Não vão fazer com que eu transgrida… Me transforme num pseudo-ditador da direita. Isso não existe. Irei às últimas consequências contra qualquer um do meu meio que pense desta maneira”, garantiu Bolsonaro. Ele disse, no entanto, que é preciso que o “outro lado” deixe o seu governo trabalhar.

Ao voltar a falar sobre o inquérito das fake news, o presidente falou que o objetivo foi atingir quem apoia o seu governo. “Se eu tivesse feito algo contra a esquerda, estariam dando pancada em mim. Eu convivo com a esquerda. Posso não suportar, mas convivo. Não persigo a esquerda. Estão perseguindo gente que apoia o governo de graça”, argumentou.

“Querem tirar a mídia que eu tenho a meu favor sobre o argumento mentiroso de fake news. Repito: não teremos outro dia igual ontem. Chega! Chegamos no limite. Estou com as armas da democracia na mão”, afirmou sem explicar, no entanto, o que quis dizer com essa declaração.

“Eu honro meus compromissos e o juramento que fiz quando assumi a presidência da República. Essa minha cadeira presidencial não é fácil. Confesso, está sendo mais difícil do que eu imaginava porque os inimigos não estão fora do Brasil. Estão aqui dentro.”

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