Casos de transtornos mentais aumentam durante pandemia

Durante o período de isolamento social, os casos de transtornos mentais aumentaram. Sejam crianças, adolescentes, adultos ou idosos, todos estão vivendo uma carga negativa que possibilita o agravamento ou o desenvolvimento de algum distúrbio psíquico, que é caracterizado como um conjunto de fatores psicológicos, biológicos e sociais.

De acordo com uma pesquisa feita pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), com médicos de todo o Brasil, a crise gerada pelo coronavírus agravou os casos psiquiátricos. Na pesquisa, cerca de 47,9% dos médicos indicaram aumento nos atendimentos após a pandemia. Além de que, cerca de 67% dos médicos atenderam pacientes que nunca haviam apresentado casos de transtornos psíquicos anteriormente.

“Existem dois diagnósticos mais comuns em situações de extremo estresse que são a reação aguda ao estresse e o transtorno de adaptação, que são os sintomas de ansiedade e/ou depressivos leves, que estão associados a um fator externo desencadeador como nesse caso, a pandemia. O sentimento de desesperança é algo comum e isso vai piorar sintomas depressivos. O medo de adoecer, aumenta a ansiedade e por isso também os casos de transtornos de ansiedade”, explica a Dra. Laísa Duarte, psiquiatra.  

A dificuldade em manter um contato socioafetivo é um dos pontos que gera ansiedade aos pacientes. Conforme explica a doutora Laísa, é necessário tentar manter essa conexão com amigos e familiares, através da tecnologia por exemplo, além de compartilhar os sentimentos para que se sinta acolhido.

A dificuldade de acesso às ferramentas que a gente tem para melhorar nossa saúde mental, como a psicoterapia individual, atividade religiosa e mesmo o encontro com nossa rede socioafetiva são pontos que afetam a saúde mental. Tentar manter essa rede afetiva ‘acesa’, mesmo que virtualmente, é uma forma de melhorar os sentimentos negativos. Procurar ajuda profissional se você perceber que está prestes a adoecer, e divulgar que alguns sentimentos são normais também ajuda a prevenir, a pessoa sente que não está sozinha naquele sentimento de angústia, se sente acolhida”, explica a psiquiatra.

A médica psiquiatra explica ainda que, caso os sintomas sejam persistentes e intensos a ponto de prejudicar o indivíduo em atividades como o próprio trabalho e estudo, é sinal de que os sentimentos já não são normais e sim patológicos e é necessária a busca por um profissional.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou um folheto informativo sobre o suicídio em tempos de pandemia, apresentando informações como os fatores, que variam de acordo com a faixa etária, que devem receber atenção pois indicam um quadro que precisa de ajuda médica.

Nas crianças e adolescentes alguns fatores são a irritação ou agitação excessiva, o uso de álcool ou drogas, um ambiente familiar hostil ou ainda relatos de violência psicológica, física, sexual ou negligência. Já nos adultos, a autodesvalorização, o isolamento afetivo, o sentimento de solidão e desamparo, além da exposição frequente a situações de risco. Os idosos podem sofrer com a vulnerabilidade emocional, principalmente os que moram sozinhos, angústia, tristeza profunda e solidão.

De acordo com a psiquiatra, o conteúdo midiático sobre a pandemia também influencia na resposta negativa. É necessário filtrar as informações recebidas além de limitar o tempo usado diante das mídias, principalmente as pessoas que são mais sensíveis.

Algumas atitudes que os familiares ou pessoas próximas aos pacientes podem exercer para prevenir atitudes extremas e melhorar a saúde mental do paciente é o diálogo. “Acolher, tentar fazer com que essa pessoa verbalize seus sentimentos e estimular a fala, é muito importante. A gente vive uma época de adolescentes que fazem automutilação, que geralmente surge porque existe um sofrimento interno que a pessoa não consegue externar”, finaliza a psiquiatra.

Com informações do EmTempo

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